Rolê na América – A América Latina de trailer

Rolê na América - Casal viaja a América Latina de trailer

Uma das coisas mais gostosas para a equipe da eDestinos é publicar relatos de viagens e vivências interessantes de cada viajante. Este post é um pouquinho diferente, mas tão maravilhoso quanto. Entramos em contato com a Paula e o Nikolas, um casal que, nesta semana, sai de viagem pela América Latina, com um trailer, um carro equipado e muita, mas muita vontade de ter uma experiência memorável. Saiba tudo sobre a preparação da aventura e conheça o “Rolê na América”, um tema incrível para começar o Mês dos Namorados e mostrar que o amor não tem distância.

Podem contar um pouquinho sobre cada um de vocês?

Paula: tenho 26 anos, sou natural de Joinville (SC), mas saí da casa dos meus pais aos 18 anos para estudar medicina em outra cidade. Estou formada tem quase dois anos.

Nikolas: tenho 26 anos, sou de Dois Irmãos (RS) e moro em Santa Catarina desde 2015. Sou publicitário e trabalho em agências há uns 9 anos.

Como vocês se conheceram? Há quanto tempo?

Já tínhamos nos visto ao vivo algumas vezes, mas foi no Facebook que nos conhecemos de verdade. Depois de um singelo “oi” do Nikolas, a afinidade bateu e já são quase quatro anos que a gente não desgruda e não para de se falar! Temos personalidades bem diferentes, mas gostos e visões de mundo muito parecidos.

Rolê na América - Casal viaja a América Latina de trailer

Vocês tiveram um relacionamento a distância, correto? Por que, e como foi esse período?

Namoramos a distância por um ano e meio. A Paula estava terminando a faculdade em Itajaí, Nikolas tinha o emprego e a vida dele em Dois Irmãos. Foi uma época muito divertida, mas bem difícil, ao mesmo tempo. Namorar a distância é muito doido: é incrível porque a expectativa dos encontros torna cada um deles superintenso e único, um verdadeiro evento. Mas a saudade e a falta que faz ter o outro na sua rotina são bem doloridas, aí, o Nikolas conseguiu um emprego em SC.

Como surgiu a ideia da viagem?

Paula: A ideia da viagem, pra mim, começou em reflexões relacionadas com minha profissão. A medicina exige tudo de você, tudo o que você é e quase todo seu tempo. Eu via o fim da faculdade chegando, via as pessoas já ansiosas pra emendar residências e pensava comigo: “e quando é que eu vou começar a viver? E se eu morrer aos 30 anos, o que vai ter feito a minha vida valer a pena? Se eu entrar numa residência agora, que tipo de maturidade e experiência de vida eu tenho?”. A medicina aproxima a gente do sofrimento humano. Quando vi o quanto o sofrimento é real e frequente, percebi que estava desperdiçando muitos momentos preciosos da minha vida e da minha juventude em preocupações e ansiedades que não valiam a pena. A vida é muito mais do que sucesso profissional.

Nikolas: Desde criança, minha família sempre esteve esparramada pelo sul do Brasil. Não havia programa mais divertido que entrar no carro e viajar, por exemplo, 1.000 km até encontrar os avós no oeste paranaense. Essa associação entre carro x diversão me fez um apaixonado por estradas. Parece não fazer sentido para a maioria das pessoas… cansaço, stress, barulho, buracos. Mas, para mim, é pura alegria. E foi acompanhando relatos de viajantes que rodam o mundo em seus carros que surgiu a ideia de conhecer a América do Sul inteira pelo chão.

A pergunta que não quer calar: quanto tempo juntando grana? Vocês também têm uma “Vakinha”, né?

Começamos a planejar a viagem no último ano de faculdade da Paula. Nessa época a grana era bem curta e os dois só acumulavam dívidas. Assim que ela se formou e começou a trabalhar, o foco já era a viagem. Casamos dois meses depois da formatura e fizemos um casamento supersimples. Trabalhamos por meses até conseguirmos quitar nossas dívidas. Moramos, durante quase um ano, em um kitnet de 23m², de apenas dois cômodos. Ficamos praticamente três anos sem férias e viagens. Vendemos tudo de valor que tínhamos e não podíamos levar junto. Foram 22 meses de muito trabalho e corte de gastos. A Vakinha não estava nos planos, mas teve de entrar depois de alguns imprevistos e revezes financeiros.

A ideia da Vakinha é levar as pessoas pra viajarem com a gente: se você contribuir, a gente te manda cartões postais, tira uma foto com a sua foto no lugar da América Sul que você escolher ou até vai na sua casa preparar um jantar e mostrar todas as fotos da viagem, dependendo do valor doado. Para participar, é só acessar este link.

Por que um trailer? Como encontraram o trailer perfeito? E como o carro foi decidido?

O trailer é uma alternativa confortável, segura e que nos proporciona muita independência e autonomia. Nós não dependeremos de hotéis, pousadas, e nem mesmo de muita estrutura de camping – o que também torna a viagem mais barata. Ao mesmo tempo, é mais prático que um motor home, já que podemos desconectar o trailer e sair para explorar de carro.

Escolhemos um trailer da Apolo por ser mais prático e clean que as marcas clássicas mais antigas. E a escolha do modelo foi pelo tamanho – Young é ideal para duas pessoas, leve e pequeno.

O carro foi escolhido pelo custo-benefício, pela confiabilidade e por características necessárias para rebocar o trailer – a X Terra é um carro com poucos problemas crônicos relatados, com bom preço, potente e com torque  suficiente pra rebocar nosso Apolo Young tranquilamente por toda a América, incluindo aí milhares de quilômetros pelos Andes.

Rolê na América - Casal viaja a América Latina de trailer

Como o roteiro foi decidido? (Veja o roteiro aqui!)

Para decidir o roteiro, nos baseamos em livros, sites de viagem, relatos de viajantes que já fizeram algo parecido, e até passeios virtuais no Google Street View.

Quanto tempo pretendem passar na estrada?

Algo entre quatro e oito meses, vai depender de quanto durar a grana. (risos)

Quais são os lugares que estão mais ansiosos para conhecer?

El Calafate (ARG), Carretera Austral (CHI), Atacama (CHI), Machu Pichu (PER), USHUAIA (CHI), Chapada dos Guimarães e Veadeiros (BRA) e Estrada Real (BRA).

Como pretendem documentar a viagem, sendo que a forma de viajar será um pouco “rústica”? Qual será a frequência de postagens no blog?

A frequência de postagens vai depender do Wi-fi grátis na estrada. Ambos gostamos muito de escrever, então, o blog será uma das principais ferramentas pra documentar a viagem. Mas atualizaremos o máximo possível todas as nossas redes sociais.

Em quais redes sociais podemos seguir vocês?

O Rolê na América está:

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Como será a bagagem, o que pretendem levar?

Depois de vender e reduzir tanto as nossas coisas, vamos levar na viagem praticamente tudo o que temos. Serão roupas para o frio de Ushuaia ao calor da Colômbia, utensílios domésticos e de uso pessoal de uma forma geral (só que em tamanho mini e de plástico), livros e, claro, coisas que compramos especificamente para essa viagem, como câmera DSLR, GoPro, cones de sinalização, peças sobressalentes para o carro, tanques de água e combustível extra, equipamentos de camping e outras tralhas necessárias (ou não) para uma viagem longa, segura e razoavelmente confortável.

Rolê na América - Casal viaja a América Latina de trailer

Qual é a maior dificuldade que vocês acham que vão enfrentar?

A nossa maior dificuldade, acredito, não tem a ver com fatores externos da viagem, tem a ver comigo com nossos medos, ansiedades e expectativas. Enfim, tem a ver com o universo de dentro, não o de fora.

E o frio na barriga, tá rolando?

Rolou muito frio na barriga enquanto estávamos em Florianópolis, correndo atrás dos detalhes finais dos preparativos. Agora que já deixamos tudo para trás e estamos nos despedindo das famílias e amigos, com (quase) tudo pronto pra partir, estamos mais tranquilos e relaxados. E muito, muito felizes!

A eDestinos deseja toda a sorte do mundo e a melhor viagem para Paula e Nikolas!