Quase nômade: viagem e sustentabilidade

Quase Nômade

A Mari Dutra é a idealizadora e está à frente do Quase Nômade, um blog de viagens de muito sucesso. Mas ela não se contenta com guias de viagem, relatos ou fotos magníficas – apesar de ser um grande talento nesses itens. Atualmente, ela encara um projeto ainda mais audacioso: conscientização do viajante. Entrevistamos a Mari, e trazemos informações para que você saiba mais sobre uma nova forma de viajar, econômica e, principalmente, sustentável.

Quando e por que surgiu o Quase Nômade?

O Quase Nômade surgiu “oficialmente” durante uma viagem de três meses pelo México, no final de 2015. Antes disso, ele já existia informalmente nos meus rascunhos desde 2014, quando eu cheguei a publicar um ou dois posts, mas abandonei a ideia para me dedicar a outros projetos – e fui acumulando uma avalanche de textos que nunca viram a luz. Eu sempre li muitos blogs, que me ajudavam a resolver questões práticas enquanto estava viajando e a decidir novos roteiros enquanto estava em casa e, como trabalho com conteúdo web desde 2010, o Quase Nômade acabou surgindo como uma consequência natural disso. Ele se transformou em um espaço em que eu poderia escrever sobre o que quisesse, sem pressão de empresas ou editores.

Quem é seu público-alvo?

Essa pergunta é difícil de responder, porque o Quase Nômade não foi pensado como uma empresa e sim como um espaço para compartilhar experiências de viagem com quem quisesse ler. Por ser despretensioso, nunca pensei exatamente em quem seria meu público. Hoje, com mais tempo de blog, minhas estatísticas apontam uma predominância de leitoras mulheres e jovens – mas esse é naturalmente o público que mais consome blogs de viagem e não uma característica própria do meu conteúdo.

Dito isso, eu escrevo hoje para quem está disposto a pensar nas viagens além de roteiros turísticos. Para quem quer mais do que saber como chegar ao lugar X. Embora essas informações mais práticas também estejam presentes nas minhas publicações, percebo que o meu público mais fiel são pessoas que estão interessadas em compreender o ato de viajar como um todo e não apenas ver a paisagem bonita de uma cidade europeia. Graças a isso, eu lancei recentemente uma série que trata sobre turismo sustentável e geração de lixo em viagens, pois acredito que é um tema sobre o qual ainda há muita confusão e quis tornar o assunto leve para que mais pessoas possam se sentir parte desta mudança.

Quase Nômade

Como começou seu interesse sobre sustentabilidade em geral (não só em viagens)?

Faz algum tempo que eu comecei a me preocupar com os impactos do nosso estilo de vida. Se eu tivesse que precisar exatamente quando foi, seria por volta de 2010, quando aderi ao minimalismo. Minha motivação na época foi o fato de me sentir presa a muitas coisas materiais. Por cerca de três anos, eu vivi com poucos bens. Só que, a partir dessa reflexão, comecei a buscar aprender também sobre o impacto de cada coisa na Terra, ler sobre consumo consciente, entender que tudo que fazemos pode ter consequências para nossa vida no futuro. E, assim, caí de cabeça em conceitos de sustentabilidade e comecei a estudar sobre o movimento zero waste (ou “desperdício zero”), fundado pela Bea Johnson.

Quais foram os ajustes que você fez na sua forma de viajar diante dessas informações?

Foi só recentemente que eu percebi a possibilidade de aplicar mais a fundo as ideias com as quais tive contato ao meu estilo de viagem. Eu sempre fui uma pessoa muito prática e já tive hábitos que geravam MUITO lixo, porque achava que fazer escolhas mais sustentáveis dava muito trabalho. Por isso, fui me adaptando aos poucos. Busco ficar hospedada sempre em apartamentos, hotéis ou pousadas pequenos ao invés de grandes redes e tento me informar sobre a separação de lixo dos locais que frequento. Passei a evitar viagens aéreas desnecessárias. E, principalmente, eu não compro mais supérfluos, nem souvenirs de viagem. São atitudes simples, mas que diminuem o nosso impacto negativo no meio ambiente. Muita gente pensa que é preciso gastar fortunas e se hospedar em um “ecoresort” para ser sustentável ou então acampar no meio do mato, mas isso não é verdade. Existem escolhas sustentáveis para todos os tipos de viajantes.

O que um viajante comum pode fazer para amenizar o lixo que produz em viagens?

Há muita coisa que pode ser feita. Algumas das principais atitudes incluem recusar descartáveis, como canudos, sacolas e copos. Em lugares em que a água encanada é segura para consumo, também é fácil evitar a compra de garrafas de água viajando com uma garrafinha reutilizável. Em hotéis, ter seu próprio kit de higiene e recusar as miniaturas oferecidas, além de reutilizar a toalha mais vezes – a maneira mais eficaz é recusando o serviço de quarto.

Outras atitudes interessantes e simples são diminuir o consumo de derivados de animais e caminhar ou usar transporte público para se locomover quando possível. No final das contas, o mais importante é repensar as próprias atitudes e observar quais delas a pessoa está disposta a mudar. A mudança não precisa ser uma quebra brusca nos padrões, ela tem que ser natural e se encaixar no estilo de vida de cada um, porque senão ela não é permanente. É por isso que tenho buscado falar mais sobre o assunto no meu blog e criei até mesmo uma área para reunir tudo que vou escrevendo sobre a temática. Quanto mais informação houver, mais facilmente as pessoas poderão decidir qual a melhor maneira de repensar a sua produção de lixo em viagens, porque não existe uma fórmula pronta.

Você tem alguma dica de produtos que auxiliam nessa nova forma de viajar?

Muita gente adota o copinho da Menos 1 Lixo para substituir os copos descartáveis. Como ele é fofo, dobrável e vem com marcação de ml, é uma alternativa “cool” para quem quer deixar de usar copos descartáveis. Tem também os canudos reutilizáveis da Mentah e da BeeGreen – embora o canudo seja um item praticamente dispensável para a maioria das pessoas.

Por último, uma dica para as meninas são os coletores menstruais, que combinam super bem com viagens e podem ser usados por até 12 horas (ideal para aqueles voos de longa distância)! Além de quase não ocupar lugar na mala, dá para entrar na água tranquilamente usando um, o que ajuda (muito) em viagens para a praia. Para quem viaja apenas com bagagem de mão, os shampoos sólidos também são uma maravilha! Os da Lush são os mais famosos, mas algumas marcas brasileiras também produzem shampoos em barra, como a Fefa Pimenta.

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